Talent acquisition: o motor da inovação corporativa
Entenda como a atração estratégica de talentos amplia a diversidade e garante resultados financeiros superiores
No cenário atual de transformações rápidas, o RH deixou de ser apenas um executor de processos para se tornar o coração estratégico das empresas. Nesse contexto, o conceito de talent acquisition (aquisição de talentos) ganha um peso fundamental. Mais do que simplesmente preencher cadeiras vazias, essa prática foca em atrair e reter profissionais que possuam um alinhamento profundo com a cultura e o propósito da organização, garantindo um crescimento sustentável a longo prazo.
Qual a diferença entre recrutamento e talent acquisition?
Embora os termos sejam usados como sinônimos, eles possuem focos distintos. Enquanto o recrutamento tradicional costuma ser uma resposta imediata a uma vaga aberta, o talent acquisition é uma estratégia de longo prazo. Ele envolve um planejamento contínuo da força de trabalho, o fortalecimento da marca empregadora (employer branding) e uma análise de dados refinada para encontrar quem realmente fará a diferença no time.
De acordo com Flávia Mentone, CEO da Reponto, empresa especializada em recrutamento de Pessoas com Deficiência (PcD), essa visão estratégica é o que permite a criação de equipes realmente preparadas para o futuro. "Com boas estratégias de recrutamento e a ampliação dos canais de comunicação, as organizações têm a oportunidade de atrair profissionais diversos e criar equipes verdadeiramente inovadoras", afirma.
De que forma a estratégia torna as contratações mais justas?
Um dos grandes benefícios do talent acquisition é a possibilidade de realizar avaliações mais profundas e livres de preconceitos. Em processos feitos "às pressas", é comum que o recrutador se apegue a estereótipos ou foque apenas em competências técnicas óbvias. Já no modelo estratégico, olha-se para o potencial socioemocional e para a compatibilidade de valores.
Para Flávia Mentone, isso é essencial para promover a inclusão de grupos minorizados, como pessoas com deficiência, profissionais negros, mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+. "Nesse modelo, os talentos são selecionados com base em critérios que vão muito além da instituição de formação e hard skills. Eles são avaliados de acordo com competências alinhadas à missão da organização", explica a especialista.
Como a diversidade gera retorno financeiro para as empresas?
Apostar em talent acquisition focado em diversidade não é apenas uma questão ética; é uma decisão de negócio. Dados da McKinsey reforçam que empresas com maior diversidade étnica e cultural têm 33% mais chances de superar o desempenho financeiro da concorrência. Já um estudo da Deloitte aponta que organizações inclusivas são seis vezes mais propensas a serem inovadoras e ágeis.
Quais as melhores estratégias para atrair talentos em 2026?
Para os profissionais de RH que desejam implementar essa cultura, Flávia Mentone lista quatro pilares essenciais:
Planejamento antecipado: Não espere a vaga surgir. Crie um banco de talentos vivo, alinhado aos objetivos futuros da empresa.
Diversificação de canais: Vá além do óbvio. Explore redes sociais, feiras de carreira e consultorias especializadas em diversidade para encontrar perfis plurais.
Experiência do candidato: O processo seletivo é o primeiro contato do talento com a sua marca. Comunique-se com clareza e respeito em todas as etapas.
Marca Empregadora forte: Mostre ao mercado por que sua empresa é um lugar onde vale a pena estar. Compartilhe histórias reais de impacto e benefícios que realmente importam.
"É preciso mostrar ao mercado por que vale a pena trabalhar na sua empresa. Compartilhe histórias reais e projetos inspiradores para atrair pessoas que se conectem com o propósito", conclui Flávia.








