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Setor financeiro lidera denúncias de assédio moral

Estudo revela que comportamentos abusivos ainda são tolerados e aponta falhas críticas na cultura das organizações

Atualizado em 07/01/2026 às 10:01, por Vanderlei Abreu.

Assédio moral no setor financeiro

Imagem gerada por inteligência artificial

O setor de serviços financeiros e seguros registrou uma das maiores taxas de denúncias corporativas em 2024, com 11,1 registros para cada mil funcionários. O dado, que supera a média geral do mercado, faz parte do novo Panorama Setorial dos Canais de Denúncias, elaborado pela Aliant (holding ICTS). O levantamento acende um alerta sobre a saúde emocional e ética nos ambientes de trabalho do segmento.

O que os dados revelam sobre a conduta?

De acordo com o relatório, o assédio moral lidera as queixas (20,8%), seguido pelo assédio sexual (2,8%). O dado mais alarmante é que, em 53,6% dos casos, os denunciados são colegas da mesma área. Isso sugere que o comportamento inadequado muitas vezes é naturalizado pelo grupo, evidenciando uma falha estrutural na prevenção de abusos e na promoção de um ambiente seguro.

Por que a investigação ainda enfrenta obstáculos?

Embora o setor financeiro seja o mais rápido em apurar denúncias — com um tempo médio de apenas 33 dias —, a efetividade real ainda é baixa. A taxa de procedência das queixas é de apenas 18,9%, a menor entre os segmentos analisados. Isso ocorre porque muitas denúncias chegam sem informações suficientes ou os colaboradores ainda sentem insegurança ao relatar os fatos, resultando em um alto índice de arquivamento.

Como a liderança deve encarar este cenário?

Para o diretor-geral da Aliant, Mauricio Fiss, o cenário exige uma mudança profunda que vai além da tecnologia ou de processos burocráticos. Ele enfatiza a necessidade de uma postura ética mais firme. “Os dados revelam um cenário preocupante: a alta taxa de denúncias evidencia problemas estruturais na cultura organizacional. O fato de a maioria dos casos envolver colegas da mesma área indica ambientes onde condutas abusivas são, muitas vezes, toleradas. Esses sinais exigem ações concretas das lideranças para promover ambientes mais seguros, éticos e transparentes.”

Qual o impacto deste alerta para o mercado?

Divulgado logo após a Febraban Tech 2025, o estudo reforça que a inovação digital não pode caminhar desassociada da integridade humana. A recomendação da Aliant é que as empresas invistam pesado em comunicação interna e treinamentos de escuta ativa. Como conclui Fiss, “o nosso objetivo é oferecer dados que sirvam como ferramenta estratégica. É preciso fortalecer a confiança nos processos internos e usar os indicadores para dialogar com a alta liderança sobre o valor da integridade dentro das organizações.”