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Integração de dados de RH e operações vira prioridade

Estudo aponta que 56% das empresas globais vão unificar informações de pessoas e produção até 2027

Atualizado em 22/01/2026 às 10:01, por Vanderlei Abreu.

Integração de dados de RH

Durante décadas, a gestão de pessoas nas indústrias viveu ancorada em relatórios mensais, planilhas estáticas e na intuição dos gestores. No entanto, esse modelo reativo já não atende às exigências de um mercado onde o tempo e a segurança são ativos críticos. Em 2026, os dados em tempo real surgem como o grande divisor de águas, transformando o RH de um departamento burocrático em uma central estratégica de inteligência operacional.

A mudança de paradigma é impulsionada pela necessidade de proteger o talento e otimizar a performance ao mesmo tempo. Com o uso de sensores e automação, os gestores agora conseguem visualizar o que acontece no chão de fábrica no exato momento em que ocorre. Essa visibilidade permite que o RH antecipe gargalos, evite sobrecargas e tome decisões baseadas em fatos, e não apenas em suposições ou médias históricas.

Para Túlio Cerviño, CEO da Trackfy, empresa brasileira que lidera essa inovação em ambientes industriais, o dado tornou-se o maior aliado da vida. Ele defende que, quando o RH assume o controle tecnológico da operação, ele passa a atuar na prevenção ativa de riscos e na garantia de que cada colaborador esteja na melhor condição possível para realizar sua função. “Costumamos dizer que o RH deixou de ser um departamento para virar uma central de comando. Com dados ao vivo, o gestor não precisa mais esperar o problema acontecer para agir. Ele consegue prever, ajustar e proteger; tudo no momento certo”, destaca.

Como a tecnologia transforma o dia a dia no chão de fábrica?

A aplicação prática dessa integração permite acompanhar não apenas a presença, mas as condições reais de trabalho de cada equipe. Sensores e dispositivos vestíveis coletam informações sobre a localização e o tempo de exposição dos trabalhadores em áreas críticas ou insalubres. Isso gera alertas automáticos que impedem, por exemplo, que um colaborador exceda o limite de segurança em zonas de alta temperatura ou ruído.

Além da segurança, a eficiência operacional ganha um novo fôlego com a gestão orientada por dados. Identificar jornadas fora do planejado e facilitar o controle de horas extras impacta diretamente a folha de pagamento e o compliance trabalhista. O sistema atua como um guardião da saúde ocupacional, reduzindo afastamentos por desgaste físico e garantindo que as equipes sejam alocadas de forma equilibrada entre os turnos.

A inteligência operacional também atua no bloqueio de acessos indevidos. Se um profissional tenta entrar em uma área de risco com um treinamento vencido ou sem o Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado, o sistema notifica o gestor imediatamente. É a transição definitiva para um modelo preventivo, onde a tecnologia trabalha para eliminar o erro humano antes que ele se torne um acidente. “Estamos ajudando as empresas a fazerem a transição de um RH reativo para um RH preditivo. Se alguém ultrapassa o tempo seguro de exposição, o gestor é notificado na hora. O dado virou um aliado da prevenção, da performance e, principalmente, da vida”, explica Cerviño.

Por que a integração de dados é um desafio para os líderes?

Pesquisas globais confirmam que essa tendência é irreversível: 56% das empresas já planejam integrar seus dados de RH com os operacionais nos próximos dois anos. No Brasil, o desafio é ainda mais latente, com 59% dos líderes apontando a gestão de pessoas e processos como o principal obstáculo para o crescimento. O problema reside, muitas vezes, na dispersão das informações entre diferentes sistemas que não se comunicam entre si.

A unificação desses bancos de dados permite uma visão holística que antes era impossível. Ao conectar o sistema de controle de acesso ao sistema de treinamento e à folha de pagamento, a empresa cria uma malha de proteção jurídica e operacional. Esse alinhamento é o que garante que as normas regulamentadoras (NRs) sejam cumpridas à risca, evitando multas pesadas e, o mais importante, protegendo a integridade do trabalhador.

O impacto financeiro também é um argumento de peso para os diretores. Em 2024, os afastamentos por acidentes de trabalho custaram cerca de R$ 17 bilhões à Previdência Social no Brasil. Investir em ferramentas que integrem os dados de RH e operações não é apenas um custo tecnológico, mas uma estratégia de redução de perdas bilionárias que afetam tanto o setor público quanto as empresas privadas.

Quais os resultados práticos dessa gestão inteligente?

Os números obtidos por empresas que já adotaram essa postura são impressionantes. Em plantas industriais de grande porte, a solução da Trackfy permitiu reduzir em até 50% o tempo médio de evacuação em situações de emergência. Ter a localização exata de cada crachá em tempo real permite que as equipes de resgate ajam com precisão cirúrgica, salvando minutos que são cruciais para a preservação da vida.

Além do ganho humanitário, há um retorno sobre o investimento (ROI) claro e mensurável. Houve casos de economia de 1,5% no custo anual com seguros após a implementação das ferramentas de monitoramento. Esse valor, muitas vezes, é suficiente para cobrir todo o custo da tecnologia, provando que a segurança bem gerida se paga e ainda gera lucro por meio da eficiência operacional.

Outro benefício notado foi a melhoria dos processos de deslocamento interno. Em um dos casos relatados pela Trackfy, identificou-se que trabalhadores caminhavam até cinco quilômetros sob o sol apenas para chegar ao seu posto de trabalho. Com esses dados em mãos, a empresa reorganizou sua logística interna, aumentando a produtividade e melhorando drasticamente o bem-estar e o engajamento daquelas pessoas. “A nossa solução identificou que os trabalhadores percorriam longas distâncias sob o sol quente. Assim, foi possível melhorar os processos e a organização, o que resultou em aumento de produtividade e melhoria no bem-estar”, relata o CEO.

Como o RH assume o papel de guardião da dignidade?

No fim das contas, a tecnologia serve para humanizar o ambiente industrial, por mais paradoxal que pareça. O sistema se conecta a grandes plataformas como SAP, Senior e ADP, transformando o que eram dados dispersos em decisões que respeitam o limite humano. O papel do RH em 2026 vai muito além de contratar e demitir; trata-se de garantir que cada colaborador retorne para casa com segurança todos os dias.

Ao automatizar o acompanhamento de certificações obrigatórias, como as NRs de eletricidade e trabalho em altura, a empresa reforça seu compromisso com a vida. O compliance deixa de ser um checklist burocrático para se tornar uma prática viva e pulsante no cotidiano fabril. A inteligência operacional permite que o gestor enxergue a pessoa por trás do número, valorizando a história de cada um que move as engrenagens da economia.

O futuro do trabalho na indústria exige essa profundidade de olhar e de gestão. O RH inteligente é aquele que utiliza a tecnologia para proteger a dignidade e a saúde de quem está na linha de frente. Como define Túlio Cerviño, a missão final é garantir que a negligência ou falhas de gestão não apaguem trajetórias profissionais que são essenciais para o desenvolvimento do País. “O papel do RH não é apenas contratar e demitir. É garantir que as pessoas tenham as condições ideais para performar com segurança e dignidade. Quando o RH enxerga o colaborador em tempo real, ele deixa de ser apenas um número na folha”, conclui o CEO da Trackfy.