Bem-estar corporativo eleva lucro de academias em 73%
Estudo global revela que parcerias com empresas superam modelos tradicionais em retenção e lucratividade.
A indústria do bem-estar está vivendo uma mudança de paradigma. O modelo antigo, que dependia de assinaturas individuais e da "receita por inatividade" (quando o aluno paga, mas não vai), está perdendo espaço para parcerias corporativas robustas. Segundo o Relatório do Bem-Estar Corporativo 2025, realizado pelo Wellhub, essa nova estratégia já é a principal alavanca de crescimento para 73% dos donos de academias, estúdios e apps, que relatam um aumento direto em sua lucratividade.
Quais são os ganhos reais para os operadores?
Diferente dos agregadores de volume que focam apenas em preço baixo, as plataformas de bem-estar corporativo conectam os estabelecimentos diretamente ao mercado empresarial. O resultado é um fluxo de caixa muito mais estável e previsível. A pesquisa, que ouviu mais de 600 líderes em 10 países, mostra números impressionantes: 89% dos parceiros relataram uma retenção maior de membros vindos dessas parcerias em comparação com clientes tradicionais.
Para Daniel Mazini, vice-presidente executivo do Wellhub, o impacto vai além do faturamento imediato. “Nossa pesquisa confirma que as parcerias corporativas são essenciais para essa transformação. Elas estão ajudando operadores a maximizar a capacidade e garantir sua sustentabilidade financeira. Isso demonstra o impacto real de plataformas que conectam operadores a novos públicos e fontes de receita”, afirma.
Por que o perfil do trabalhador mudou o jogo?
O crescimento desse setor é impulsionado por uma mudança demográfica profunda. Até 2034, Millennials e a Geração Z representarão 80% da força de trabalho global e esses profissionais não aceitam mais o bem-estar como um “extra”, mas como um requisito básico. Para 83% desses jovens, o pacote de benefícios de saúde é tão importante quanto o próprio salário.
Essa pressão faz com que as empresas invistam mais, criando um círculo virtuoso. Com a garantia de utilização e menos horários ociosos, as academias ganham eficiência operacional. É o caso da rede PhD Sports, que viu um salto enorme com a estratégia. “Em 2025, registramos um aumento de quase 300% nos pagamentos recebidos pela plataforma na comparação com 2024. Conseguimos crescer de 45 para mais de 100 unidades graças a essa previsibilidade de receita”, destaca Viktor Rossa, CEO da PhD Sports.
Como o mercado projeta o crescimento futuro?
A confiança gerada por esse modelo de negócio está acelerando a expansão física do setor. O estudo aponta que 83% dos empreendedores pretendem abrir novas unidades no próximo ano, e quase 70% planejam levar suas marcas para outros países. O mercado global de bem-estar corporativo, que valia US$ 70,4 bilhões em 2024, deve ultrapassar os US$ 106 bilhões até 2029.
Para Léo Aguiar, sócio da rede Gaviões, o segredo está na visão de longo prazo que a parceria proporciona. “A confiança que essa parceria nos traz, em termos de receita e ocupação, é o que sustenta nosso plano de crescimento agressivo. Devemos fechar o ano com 80 academias em operação”, explica.
Qual foi a metodologia adotada no estudo?
O Wellhub entrevistou mais de 600 líderes e proprietários de academias, estúdios e aplicativos de bem-estar em dez países para entender como suas parcerias com diferentes plataformas de bem-estar influenciam aquisição, retenção e performance financeira. A pesquisa on-line foi conduzida pela QuestionPro entre 19 de janeiro e 19 de fevereiro de 2025, com participantes que atualmente têm parcerias ativas de bem-estar corporativo. As respostas foram distribuídas igualmente entre Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Argentina, Chile, Romênia, Espanha, Itália, Alemanha e México, com aproximadamente 60 entrevistados por país.








