76% dos profissionais desejam mudanças nos benefícios
Pesquisa da Robert Half revela que, embora satisfeitos, trabalhadores buscam mais flexibilidade e personalização
O mercado de trabalho brasileiro iniciou 2026 com um desafio claro para as lideranças de Gente e Gestão: como tornar os pacotes de auxílios corporativos mais atraentes. De acordo com a edição de 2025 da Pesquisa de Benefícios da Robert Half, existe uma estabilidade incômoda na percepção dos colaboradores. Embora 57% se digam satisfeitos com o que recebem hoje, uma esmagadora maioria de 76% afirma que gostaria de realizar alterações em seus pacotes atuais.
Esse cenário reflete uma mudança de mentalidade que vem se consolidando desde o pós-pandemia. O desejo por ajustes não significa necessariamente uma insatisfação com a empresa, mas sim uma evolução das necessidades individuais que os pacotes tradicionais e engessados não conseguem acompanhar. O estudo aponta que os números atuais são muito próximos aos registrados nos últimos dois anos, sinalizando que as empresas ainda estão tateando como resolver essa lacuna de expectativas.
Para as organizações, entender esse movimento é vital para a sustentabilidade do negócio. Em um ambiente onde o bem-estar e a qualidade de vida ganharam o centro do debate, o benefício deixou de ser um “extra” para se tornar parte fundamental da proposta de valor ao empregado. Ignorar esse desejo de mudança pode resultar em um desengajamento silencioso, afetando a produtividade e o clima organizacional a longo prazo.
Por que a flexibilidade ainda é o maior desejo?
A pesquisa trouxe um dado que chama a atenção pela disparidade entre o querer e o ter: 84% dos profissionais gostariam de ter o poder de escolher seus próprios incentivos. No entanto, a realidade do mercado ainda caminha em passos lentos, já que apenas 21% dos entrevistados possuem essa possibilidade atualmente. Essa diferença mostra que, apesar do discurso de modernização, o RH de muitas companhias ainda opera sob modelos de concessão de benefícios do século passado.
A boa notícia é que há sinais de evolução na personalização desses pacotes. Em 2024, apenas 15% dos trabalhadores contavam com pacotes flexíveis, o que mostra um salto de seis pontos percentuais em um ano. Esse crescimento indica que a flexibilidade está ganhando força e deixando de ser apenas uma tendência de empresas de tecnologia para se tornar uma demanda real em todos os setores da economia.
Para Leonardo Berto, gerente da Robert Half, esse descompasso precisa ser endereçado com urgência para que as empresas não percam competitividade. Ele acredita que o segredo não está em oferecer mais benefícios, mas em oferecer os benefícios certos para cada perfil de colaborador. A busca por soluções que conciliem a realidade financeira da empresa com o valor percebido pelo trabalhador é o grande desafio da atual gestão. “Os dados mostram um descompasso entre os benefícios oferecidos pelas empresas e o que os trabalhadores realmente valorizam. É fundamental que as organizações continuem a busca por soluções alinhadas à sua realidade para conciliar esses interesses”, explica.
Como os benefícios impactam a atração de talentos?
Em um cenário onde o desemprego de profissionais qualificados é baixo, o pacote de auxílios torna-se o fiel da balança nas negociações de contratação. O levantamento confirma que 53% dos trabalhadores e 49% das empresas reconhecem a influência direta desses incentivos na hora de atrair ou manter um talento na casa. Muitas vezes, um plano de saúde superior ou um auxílio-educação robusto pesam mais do que um aumento salarial isolado.
As empresas que já entenderam esse impacto estão utilizando os benefícios como uma ferramenta de marketing empregador. Ao oferecer itens que realmente fazem a diferença na vida do colaborador — como suporte psicológico ou auxílio-creche — a organização comunica seus valores e o cuidado que tem com seu time. Isso cria um diferencial competitivo difícil de ser copiado pela concorrência, fortalecendo a lealdade do profissional.
Leonardo Berto reforça que, com a oferta mínima de profissionais qualificados no mercado, o recrutamento tornou-se uma disputa por quem já está empregado. Nesses casos, quando as margens salariais são parecidas, o benefício vira o instrumento de convencimento final. É o que define se um talento decide trocar de crachá ou permanecer onde está, sentindo-se valorizado em suas necessidades básicas e extras. “Com o desemprego em níveis historicamente baixos, a oferta de profissionais com qualificação é mínima. Para atrair talentos, muitas vezes as companhias precisam recrutá-los de outras organizações. Nesses casos, os benefícios tornam-se um instrumento poderoso de negociação”, complementa.
Quais são os TOP 10 benefícios mais valorizados pelos profissionais versus mais oferecidos pelas empresas?
| MAIS VALORIZADOS | MAIS OFERECIDOS |
| Bônus acordado (anual, trimestral, mensal, eventual) | Vale-refeição/alimentação |
| Plano de saúde privado | Plano de saúde privado |
| Vale-refeição/alimentação | Plano odontológico |
| Plano de previdência privada | Seguro de vida/contra acidentes |
| Plano odontológico | Bônus acordado (anual, trimestral, mensal, eventual) |
| Incentivo/reembolso para educação | Vale-transporte |
| Auxílio combustível/reembolso | Convênio com academias |
| Seguro de vida/contra acidentes | Celular corporativo e/ou reembolso de plano móvel |
| Carro da empresa/ajuda de custo | Plano de previdência privada |
| Celular corporativo e/ou reembolso de plano móvel | Auxílio-creche |








